Capítulo de Livro · Home Editora · Publicado em 10/02/2026
IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 SOBRE A MORBIDADE HOSPITALAR RELACIONADA ÀS DOENÇAS CARDÍACAS NO BRASIL: ANÁLISE TEMPORAL COMPARATIVA DOS PERÍODOS PRÉ E PÓS-PANDEMIA.
Autoria: Alessandra de Campos Fortes Fagundes
Publicado em: Estudos em Ciências da Saúde
DOI: 10.46898/home.aa6748f867ea
Resumo
Investigar o impacto da pandemia de COVID-19 sobre a morbidade hospitalar por doenças cardíacas no Brasil, por meio da comparação entre os períodos pré e pós-pandemia, com base em dados nacionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Estudo ecológico, descritivo, de série temporal, fundamentado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram incluídas todas as internações registradas sob os códigos da CID-10 I50 (insuficiência cardíaca), I21 (infarto agudo do miocárdio) e I20–I25 (outras doenças isquêmicas do coração). Os períodos analisados foram definidos como pré-pandemia (junho de 2016 a junho de 2019) e pós-pandemia (junho de 2022 a junho de 2025). No período pré-pandemia, foram registradas 1.467.750 internações por doenças cardíacas, enquanto no pós-pandemia observou-se 1.639.173 internações, correspondendo a um aumento de 11,7%. Os óbitos hospitalares elevaram-se de 120.234 para 130.905 (+8,9%), enquanto o tempo médio de permanência manteve-se estável (6,9 para 6,93 dias). O valor total das internações aumentou 59,8%. O crescimento foi mais expressivo entre homens (+14,4%), idosos (≥60 anos; +14,7%) e nas regiões Norte (+38,9%) e Nordeste (+17,2%). Incrementos relevantes foram observados entre pessoas pardas (+81,3%) e pretas (+46,1%). Todas as variáveis apresentaram diferenças estatisticamente significativas (p < 0,001), com V de Cramer entre 0,12 e 0,24. A pandemia de COVID-19 impactou significativamente a morbidade hospitalar por doenças cardíacas no Brasil, evidenciando aumento de internações, óbitos e custos assistenciais, especialmente entre grupos populacionais mais vulneráveis.
Palavras-chave
Doenças cardiovasculares;COVID-19;Hospitalizações;Epidemiologia