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Livro Digital · Home Editora · Publicado em 27/03/2026

CRÍTICA DA RAZÃO PROMETEICA: habitar o selvagem

Autoria: Harley Juliano Mantovani

DOI: 10.46898/home.cef10ddc4b5b

ISBN: 978-65-6089-452-5

Resumo

A razão, a identidade e a atividade prometeicas nos desenraizou, nos desfigurou e ocultou a nossa habitação, trazendo sobre nós uma noite metafísica cuja marca essencial é o niilismo que envenena e infertiliza os nossos pensamentos, os nossos olhares, a nossa fala, as nossas ações, forjando uma subjetividade que está inadvertidamente a serviço do fim do futuro e do fim do mundo. Por isso, essa noite metafísica demanda uma ética que deverá enfrentar e paralisar essa desfiguração antropológica que adoece profundamente o ser humano. Nesses termos, ocorre uma convergência entre a poesia e a ética, de tal modo que a ética se torna o rumo da poesia e a poesia se torna tribunal. Nesse tribunal a sentença é estranhamente uma libertação e uma redenção. Sendo sempre a mesma, a sentença é habitar o selvagem. O selvagem não é apenas um lugar; de qualquer forma nós não o habitamos se não sairmos da razão, se não olharmos e falarmos de outro jeito, se não perdermos a nossa identidade, enfim, se não nos apresentarmos estranhos e outros primeiramente para nós mesmos. O selvagem só aparece como aurora e, portanto, oposto ao niilismo o selvagem é encontrado fora da metafísica que justificou e assegurou um processo sistemático e universal de domesticação. Se a domesticação, como vimos, desrespeita o ser, então enfrenta-la consiste também em elaborar uma ontologia para a qual o ser, o espírito e o sentido são selvagens. Portanto, a restituição do ser bruto, obscuro, gestante e indomesticável é a tarefa de uma nova ontologia que nos permite enfrentar o Antropoceno e habitar o selvagem.

Palavras-chave

Ciência;Ontologia;Ética;Antropoceno